19.9.06


Entre a beleza das garças solitárias, fico com meus amigos urubus.

Desengonçados que são, importantes até, e com olhos bonitos ofuscados pela negritude sem brilho.

Carregam no peito um coração desarmado e vivem em grupo.

Eu há muito tempo falo sobre meu gosto por urubus, mas nunca escrevi sobre eles...

...É que hoje conversei com um e ele disse coisas que só um urubu seria capaz de me dizer e que todos deveriam entender.

13.9.06

Texto que não resolve.

O coração apertado está procurando o caminho da mudança.

Está cansado de discursos vazios e análises intelectuais. Está preocupado com o que é sentido, vivido de verdade. Disso se trata sonhos frustados, sonhos que são subjetivos demais para serem analisados com funções e derivadas parciais.

O coração tá apertado porque não vê saída. Porque agora tem mais tempo para analisar as notícias que chegam junto com as estatísticas.

O coração quer ser útil. Não pretende e não quer de jeito maneira ser ofuscado pela razão.

O meu coração não poderia ser transformado num modelo simples. Os corações não viram modelos.

10.9.06

Operários

A altura mede aproximadamente vinte centímetros. Na base, formiguinhas com objetivos. No caminho, um compartimento com água colocado somente com a intenção de que aqueles serezinhos não cheguem ao topo. E no topo, ah! Jujubas como letreiros luminosos: " Coma-me! Coma-me! Coma-me!". Eu mesma já comi várias delas!

Enquanto eu encho a pança de jujubas observo aquele negócio. Formigas são mesmo persistentes. De umas dez que tentaram, dez já tinham se afogado e mesmo assim, mais cinco se aproximavam da base para cumprir o trajeto.

E não é que uma conseguiu? O problema foi a mão humana que tirou a pobre formiga dali.

Neste momento, ainda tem bicho querendo subir. E neste momento eu penso no assunto: O que falta naquelas formigas é inteligência, estratégia. Elas apenas sobem por instinto, não modificam a rota e só uma foi capaz de chegar por ser mais forte fisicamente.

Às vezes eu enxergo o povo assim.

8.9.06

Complô a favor de mim.

Chego em casa e logo sento em frente ao computador, às 1:04h no intuito apenas de agradecer.

Tudo bem que já me informaram que eu agradeci loucamente o carinho que recebi há algumas horas atrás, mas por aqui eu deixo registrado, e outro mas, agora estou sóbria. Rs!

Foi lindo ver uma velinha acesa sem esperar, aquele "parabéns" cantado por vozes amigas. O bolo (delicioso) preparado com tanto carinho. O colar (lindo) feito por mãos delicadas e que está agora no meu pescoço. A mentira contada e explicada depois de tanta alegria. Todos aqueles amigos me foram dados de presente pela vida e são um dos maiores presentes recebidos nesta semana comemorativa. Palavras bonitas que não voaram. Sorrisos bonitos que não se apagam. Abraços que sinto até agora.

Acabei de passar por um dos momentos mais belos da minha vida!

Adoro vocês!

5.9.06

Coração Prematuro.

Os olhos que pouco viram o mundo gravaram o olhar daquele ser mais vivido.

Pedia algo que crianças não fazem. Pedia que a criança fosse adulta.

A criança virou adulta. Mas uma parte do seu coração não conseguiu crescer.

3.9.06

Sonhos mais maduros.


Chegaram aos olhos as lembranças do tempo em que os ursos eram alunos aplicados que estudavam em roda.
Sim, eu sonhava ser professora. Uma professora-bailarina. Não desejava dançar balé, mas amava os sons menos clássicos com movimentos mais bruscos. Quanto aos desejos como professora, eu era motivada apenas pelo saber e pela responsabilidade de fazer com que outros soubessem também. Eu era assim como menina.
Hoje, não sonho ser só professora e nem só dançarina. Fui aumentando o tamanho dos sonhos que não se chamam mais sonhos. É que chega uma fase na vida em que a gente ganha tamanho o suficiente para chamar sonhos de objetivos.
Texto feito pra mim mesma, que sou feliz por sentir os anos passarem na mesma proporção que a minha capacidade de realização.

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