
Abri a caixa de correio e havia um cartão pra Mari. A Mari é a filha que adotei há quase cinco anos atrás. Não deveria ser nada demais ela ter recebido um cartão de aniversário do Pet Shop, se não fosse sua origem.
Engraçado o que a vida faz. Lembro da Mari sem nome, ao lado de uma caixa em dia de chuva. Mal lembro de seus carrapatos porque não fui eu quem os matou. Lembro dela mais magra, molhada e fedida com o olhar igual ao que tem agora.
A Mari subiu de vida. Corta as unhas com gente especializada, dorme na cama, ganha presente de aniversário, é mimada, usa xampu de boa qualidade e come ração das boas. Só não usa lacinho porque não tem pelo. Só não toma banho de ofurô porque não é palhaça, mas cadela.
Mas não é isso que é bonito. Mais do que uma mãe feliz por ter a Mari, sou uma mãe orgulhosa por ter um cachorro como filho. E quero mesmo ter filhos de verdade com algo parecido com ela: quero filhos vira-latas, amigos vira-latas, convívios vira-latas.
Eu quero ser, mesmo grande, uma vira-lata!
Em homenagem à mais uma lata virada da minha querida filhota. Parabéns, Mari!