27.4.06

O fim do túnel? (24º concurso - Blogueiros malditos)

A expectativa de chegar era grande, mas as mãos trêmulas denunciavam algum problema com aquele caminho. Passar por dentro da rocha era sempre angustiante para aquele pequeno menino.

Ele sabia que depois que o tubo escuro fica pra trás, falta menos pra chegar. Mas isso não importava quando ele estava lá dentro.

Coração disparado. Mãos se apertando. Nem o rádio conseguia emitir som direito. A imaginação do menino fazia a rocha esculpida encolher, engolir, sufocar, sufocando... mas a luz voltava antes que ele se perdesse em si. No rosto, o sorriso retomava sua forma normal. Não ocorreu o fim.

Os túneis tomaram outras formas ao longo da vida desse menino que agora é grande. Ele ainda sente medo. E o túnel não existe mais.

22.4.06

De três em três minutos.

São sete horas. O semáforo fechou para os pedestres. Eles se entreolham e agarram com mais força suas bolsas recheadas com marmitas, contas e o dinheiro da passagem.

São sete horas e três minutos. O semáforo fechou para os carros. Os motoristas se entreolham e reparam no movimento dos meninos acrobatas ao mesmo tempo que o retrovisor permite saber se o carro de trás é melhor que o seu.

São sete horas e seis minutos. O semáforo fechou novamente para os pedestres. Os meninos acrobatas correm. Visitaram as janelas fechadas de cerca de dez carros cada um. Uma se abriu. Ufa! Isso é o suficiente para amenizar a surra que virá.

O semáforo abre para os carros.
O semáforo abre para os pedestres.

O semáforo tem tempo certo. Controla vidas. O semáforo nunca será homem.

16.4.06

Reposta pálida.

A moça não sabe mesmo o que dizer sobre os últimos acontecimentos. Ela só sabe que ao se olhar no espelho não reconheceu sua imagem.

Aquela palidez mórbida de quem vive a vida sem sentido refletia. O branco não era luz, era morte.

Gritou. Desejou infinitamente falar com aquele rosto desconhecido, mas ele estava tão perdido que não ouviu.

A imagem mergulhou dentro do espelho. Voltou. Flutuou através daquele objeto e foi absorvido pela pobre alma.

Alma? A moça leu tudo isso e não encontrou sentido. Não existia alma ali. Ela não sabe o que aconteceu.

Caiu. Desmaiada abaixo do espelho, esperava sua salvação. Ela tem medo de viver, medo de abrir a porta, mas não tem medo do fantasma negro.

Agonia. O coração quase pára. Seria ela? Tenta um grito...não ouve-se em um gemido.

A palidez toma conta de si.

A imagem do espelho tinha um propósito. Foi construída a cada dia sem sorrisos.

14.4.06

Volume II

Sabe aquela vontade de mudar, de virar o jogo pela necessidade de transformar? Iniciar um novo ciclo mesmo que o rotineiro seja o melhor possível?

Sentem essas coisas as pessoas cheias de tempero, que gostam de sentir o gosto libertador do se desprender e voltar quando quiser.

Essas pessoas apimentadas que por vezes tiram-me a calma. Arrancam a paz que nunca existiu. A paz sem sal e rotineira.

Um pouco de fogo para as horas do dia. Um pouco de caos. Um monte de novo.

Um muito de loucura!

Hum... uma porção poderosa de ovos de chocolate!

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