30.11.06

Balanço do mês.

A chuva detonou, a bala cantou, a mãe chorou.

Lá, onde mal conheço, conheci a mãe da menina que morreu. Queriam que ela soubesse subir no telhado com três anos. E não era pra pegar o dentinho da fada, era pra fugir da água. Ela achou que era mais seguro então bem lá no alto, onde a gente um dia vai saber onde é.

Bem adiante, onde a água não entra na casa, conheci a filha da mulher que morreu. Ela tem chorado muito e foi chorando também, que ela tentou salvar a mãe amarrando um lenço em sua cabeça perfurada. Vi no jornal de ontem o aviso de missa de sétimo dia e no de hoje, os pêsames de um alguém.

Perto disso, mas não em localização, conheci a mãe do garoto que matou a mulher do parágrafo anterior. Ele matou sem atirar, matou só olhando, mas resolveu morar na prisão, que é pra não morrer nas mãos dos colegas de trabalho do pai aposentado. Essa mãe é gari, é digna, e contou que o moleque nunca repetiu no colégio e ainda ganhou olimpíadas matemáticas. Ela não tinha tempo de ficar mais perto, e se penalizou por causa disso. O moleque matou um pouco da mãe.

Será que um dia ele perdeu alguém numa enchente?

26.11.06

Paz.


"As tempestades limpam do céu e descarregam energia acumulada."

Entrei na chuva e me molho. Ninguém, ninguém mesmo pode fugir disso.

A gente não tem mesmo o controle das coisas. Mas eu acredito que Deus tem.

Agradeço pela vida, pelas dádivas, pela possibilidade de amor.

Amo minha família, meus amigos, a mim mesma, amo o mundo!

Acredito nas pessoas, apesar de tudo. E sonho, com fé, que tudo o que está errado, tende a melhorar.

Tende a melhorar...

Chuvas de primavera para todos!

24.11.06

Animais.

Vi os meninos na rua, com cara de quem não comeu.

Eles pedem com agressividade. Estudei seus olhos. Não havia maldade neles, mas havia revolta, dessas que tiram o sono da gente. E tiram mesmo o sono "da gente".

Dessa gente que anda por aí com medo ou pena.Dessa gente que nem vê, mas que está revoltado com o próprio umbigo.

Dessa gente assim que nem eu. Dessa gente assim que nem a gente.
A certeza do tempo pode mesmo acabar com a certeza.

A ironia enche os lábios.
Os gritos enchem a língua.

A força enche o coração, mas não é de amor.

Os olhos enchem de lágrimas.

As mãos, cheias de incerteza, digitam trêmulas o que deveria ser falado. Mas a boca está cheia.

19.11.06

De Composição

Manoel disse que a gente vai desaparecendo na estrada, assim como Carlitos em seus filmes. Disse também que a gente não é sucata, que os seres vivos não viram sucata.

Quando eu virar árvore eu vou sentir assim? Será que árvore também tem medo de morrer? E quando a gente vira árvore com outros corpos juntos virando uma mesma árvore? Sentimos todos juntos?

Nessas horas é bom ser pedra.

18.11.06

Ela esqueceu o título.


Era uma vez uma menina que queria fazer estória. Ela não sabia se seriam estórias para crianças ou adultos, mas sabia que queria um final feliz.
Preocupou-se tanto em ser original, que não achou idéia que tivesse forma de lâmpada acesa.
Seus finais só terminavam com beijo. E quando tentava pensar em outra coisa, só lembrava de festa.
Resolveu escrever a própria história. Mas não história de passado.

História de presente é com agá ou com ê?

Ela foi feliz pra sempre.

15.11.06


Queria visualizar luzes radiantes, daquelas que só se encontra quando chega ao céu.
Queria fazer da Terra um pedaço de nuvem, aconchegante, mas sem umidade.
Sonhou com músicas apaixonantes, dessas sem letras, apenas com tranquila melodia.

Viveu sem esperar nada disso.
Foi no turbilhão de dentro que encontrou tudo o que foi descrito.

11.11.06

Verde, por que te quero colorido?

Foi diante da nova grade curricular, que pensei que o fracasso me esperava.
Como posso ser boa no que escolhi sendo tão humana?

Olhei para o relógio e foi assim que analisei de verdade o mundo - e falo isso referindo-me ao mundo de verdade - ele tem olhos, e mais do que isso, tem olhares.

Talvez alguns deles encontrem o meu.




Confesso que sinto falta de arte até o momento em que sonho com números coloridos. Esses, que estão além do verde-papel.

7.11.06

Vitrine.


Falei aos olhares críticos que me olhem sem dó.

É preciso ser visto.

Cravei uma flor no peito e abri a blusa. Quero os frutos pra gente.



(Incrivelmente escrito antes de um momento extremamente importante na minha história. Esse tipo de coisa prova o quanto o coração se prepara antes da mente.)

1.11.06

Essa noite.

Insônia. Agitação me traz insônia. O coração metrazinsônia.

Queria agitação, busquei agitação e estou com insônia.

Ah, vida chata, parada entorno do meu coração inquieto cheio de insônia!
Telefone? As pessoas dormem (a pessoa dorme).
Em casa? As pessoas roncam, as pessoas sonham.
Em mim? Não há resposta, só insônia.

Angústia. Parei. Respirei. Escrevi. Não dormi.

Impaciência: característica de quem não resolve as coisas do jeito que quer.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...