25.1.07

Ufa!

O corpo precisa mesmo disso peso no braço na perna e na barriga pra liberar o que tava escondido por esses lugares um dois três cinquenta e o corpo dança a valsa das pernas trêmulas que fazem surgir ondas de relaxamento depois da tensão e toda a ansiedade vai embora e toda a agitação se transforma em objetivo.

E os hormônios cuidam da sensação de saciedade, de realização, de felicidade.

E a natureza, pra além de músculos, trabalha o espírito. Não é fútil. É arte.

20.1.07

Lá dentro.

É corajosa mesmo essa escolha por viver. Viver porta afora, viver o que se tem dentro (lá dentro) as coisas que assustariam quem não lesse a mensagem de entrada.

Covarde é aquele que não passa da porta porque tem murinho. Que não entra só pra não incomodar. Que tem medo de colocar a chave na fechadura. Que não tenta por medo de errar. Que engasga, mas não dá tossidinha.

Feliz é aquele que entra, incomoda, abre, tenta (até conseguir), tosse, ri e continua.

Teimosa sou eu, que quero desse jeito. Que quero peito aberto com pernas trêmulas, que quero mão gelada com voz firme. Que quero brigar com força de dentro.

(Lá dentro).

13.1.07

Revolta.

Morreram neste dia e em outros dias, pessoas que sonhavam com tantos outros. Pessoas que sonhavam com outro mundo, com o mundo que não era o mundo de quem comandava o mundo.

Esqueceram os comandates, que havia Alguém acima disso e que a morte vira história, vira filme, sensibiliza e pune os homens que não sonham.

Que na morte, não se sente mais dor, não se sente mais nada. Que na morte, não há problema pra dormir e que quem viveu sonhando, continua a fazê-lo. É quem destrói os sonhos que continua vivo.

7.1.07

Senhorita Madruga.

A gente não sabe mesmo o que ela tem. Não troca o dia pela noite, mas quase sempre resolve viver os dois. Ela dorme de dois em dois dias.
Dizem por aqui que o negócio são as fadas e que quando ela fala, fala com elas, usando a língua delas.
Por ali, dizem que é macumba mesmo, perturbação em cima de gente feliz.
Seja lá o que for, pra mim ela só perde a vergonha de noite. É nessa hora que ela fica treinando pra aprender a falar.

1.1.07

Dois mil e sete.

Ajoelha e faz a prece pra aquilo tudo acontecer. Escolhe rosas e não angélicas pra jogar no mar que não é mais verde. Acredita que o sol, mesmo sem brilhar, vai te iluminar. E a chuva tão presente, tá tendo o que limpar. E rima com essa desinência que é pra deixar mais simples o ano que começa. Porque esperança só vê linha reta, só vê raio de circunferência, só vê ângulo de noventa que se escala em corda que não machuca. Toma força, toma impulso, dá pulinho e gargalhada. Pula onda, cai na onda e se deixa levar. E rima com essa desinência que é pra deixar mais simples o ano que começa.

Eu senti sambinha nisso.

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