29.5.07

Filosofia de barca rápida.

Eu tava aqui pensando, mas sem muita conclusão, que a vida passa rápido mesmo. E que é por isso que já estamos em quase-junho.

Mais que isso, pensei no que se carrega dentro do tempo que passa. Ou seria o que se carrega do que passa no tempo?

A única quase-conclusão construída foi a de que o mais difícil de carregar é a si mesmo.

20.5.07

Vagabundagem

São chamados vagabundos aqueles malandros em mesa de bar, falando de coisas que ninguém quer saber do que se trata. Só são ditos vagabundos, aqueles compositores-maus-trabalhadores.

Porque trabalho, na língua geral, representa mais de oito horas de olhos fundos de opressão. Trabalho é não ter tempo de ler jornal e dar opinião sobre as visões do mundo (porque não há tempo pra ver). Ou ter tempo de ler um só jornal em dez minutos junto do café da manhã. Ou ler jornal na parte que é produtivo ler. Ou fingir ler jornal porque é bonito.

Ouvi vagabundos falando de coisas que trabalhadores não enxergam. Alguns por falta de vontade, outros por falta de conhecimento e todos por falta de tempo.

É trabalho desses vagabundos pensarem no mundo por nós, que não temos tempo.

4.5.07

Prisioneiros.

Então chegaram os dias em que na porta de cada casa surgiram grades reforçadas.
Depois das grades ao redor de cada casa, surgiram as grades em volta de cada pessoa. Cada cidadão tem uma grade ao redor de si.
Mas grade tem espaço vazio e ainda assim, fomos atingidos.
A grade agora está ao redor dos olhos - não se mostra a alma ao mundo sem o receio de que essa também lhe seja tirada.

Então chegarão os dias em que, na aparência, nenhuma pessoa terá alma.
A falta de alma é mais grave do que a presença de grade.

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