24.9.08

Livro do Desassossego

Tracei diálogos com Bernardo Duarte, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa.

"Tracei" não foi boa escolha de verbo. Primeiro que não é traço. Depois que passa casualidade. Assim. Cortado por ponto.

Tenho uma relação profunda com Bernardo Duarte, há anos. E ele nunca, nunca mesmo me pareceu repetitivo. Nunca, nunca mesmo encheu-me desse tédio que nós dois podemos descrever bem. É tudo tão inflamado dentro de nós, que o tédio tem cor vermelha: não há outra cor nas profundezas de nossas almas.


Encontrar-me em seus escritos me abraça, sossega.

13.9.08

Construía linhas tortas, dessas feitas com pressa usando régua quebrada na ponta: o quadrado não fechava de jeito nenhum. E se fechava, era com ponta sobrando.

Não era exatamente falta de talento aquele negócio de usar mal uma régua, era mesmo falta de saco para as linhas retas.

...

Interessante que era pessoa que quando escrevia em papel sem pauta, todas a letras alinhavam.

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