31.5.09

"É vantajoso fazer uso de um barco vazio"

Na beira de um grande rio, avistei um barco. Apesar do movimento das águas, ele estava ali parado, sem laço. Era barco de força maior do que a força que tem a água.
Era disponível, localizado de forma que quem quisesse poderia entrar, mas ninguém se arriscava: era estranho um barco parado sem laço.
Normalmente, quem precisava atravessar o rio, nem cogitava o uso do barco. Ou optava por ficar onde estava, desistindo da travessia, ou enfrentava o curso agitado, turbulento do rio.
Desde que avistei esse barco, tenho observado essa movimentação. Não desisti da travessia, nem optei por nadar. Mas estou aqui, com a bunda na terra molhada, sentindo o sol clareando a visão das coisas. Estou me preparando para usar a embarcação. Já decidi que quero caminhos novos e meios novos para caminhá-los. Só não entrei no barco ainda, porque como ele, que tem força para ficar parado em ambiente movimentado, quero estar certa do melhor caminho.

19.5.09

Das mulheres.

Era dia de choro fácil, sem motivo triste ou ranzinza, mas choro simples, de criança mimada movida a hormônios adultos.
Dia em que a casa é o melhor lugar do mundo, assim como o edredon de infância, o calorzinho do corpo do au-au amado e as letras escritas no blog.
Dia de pedir pra mamãe fazer brigadeiro, de chorar com novela, de rir da própria sensibilidade.
Dia de ganhar cafuné, cafuné bom, que dá vontade de receber, ainda, carinho no pé.
Esse dia em que o mundo gira ao redor, mima, agrada, pra não te ver chorar.
Nesse dia de amor pra dentro, poesia na língua, silêncio nos olhos e sonhos na cabeça.
Dia que dura até o amanhã, quando o despertar traz de volta toda a razão de ser como era antes. Quando os hormônios deixam de dançar no coração delicado.

10.5.09

Qualquer coisa assim.

Revivendo letras antigas sob a luz que venta, a gente concretiza que a vida é história. E vai dormir pensando que as palavras escritas saem mais delicadas do que tudo o que explode por dentro.

Palavras amigas, que trazem razão à alma.

3.5.09

Asas quebradas.

Onde foram parar minhas asas e os sonhos de liberdade?
Pra onde foi o tempo que corre, a mente que voa, a leveza que liberta?

De onde vem todo esse drama, toda a paixão infundada, todo esse apego do pé que não solta o chão?

Vivendo dias de asas de galinha, que só pula e pouco desgruda da terra?

Ou seria passarinho imaturo, desses medrosos, esperando coragem para enfrentar o mundo?

Ou será corrente feita de aço pelos acontecimentos diários?

Foda-se: trabalha o desapego e vai. Anda sem se preocupar com o futuro e vai. Não pensa nessas coisas sem controle e vai. Vai tomando impulso para, de surpresa, voltar a voar. Voar com paixão.

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