16.3.13

Do luto.

Estou de luto
Pelo sonho morto,
Pelo modo torto
Como ele morreu.

Ah!
Era um bom sonho, o falecido.

Apesar disso, foi morto por zombaria,
Piada, bizarria
De quem nem sonho tinha
E nem sabe o que aconteceu.

(Pausa)

Mas veja bem,
Quem não sonha, não sabe:

A morte de um sonho
Exige honrarias
Porque o fim, na verdade,
É uma transformação.

A morte de um sonho
Dá vida a outros
Multiplica o novo,
Aumenta as chances de realização.

(Nova pausa)

Porém, antes disso,
Ratifico:

Estou de luto
Pelo sonho morto
Pelo modo torpe
Como ele morreu

Estou de luto
Pela parte minha
Que se foi com ele
E que nem nasceu.

Rebeca dos Anjos

3 comentários:

Edson Marques disse...

Meu aplauso.

Meu entusiasmadíssimo aplauso por esse teu poema!


Flores...

Débora Tavares disse...

Rebeca querida! (Permita-me, assim, chamá-la.)
O sistema insiste em retirar (?) seus poemas da minha página. Cadastrei-me, novamente e, então, passei a os ler de novo.
Você escreve belo, simples e claro. Gosto, sim, do que escreve. Leio pouco de desconhecidos. Gosto de Rilke. Gosto de Holderlin. Encantam-me sua simplicidade inteligente. Não precisa ser recíproca. Dificilmente, encontro alguém que me goste com facilidade. A minha própria amiga não me lê. Nos meus 53 anos, tenho toda uma história de coisas ainda não tão bem resolvidas retratadas na complexidade de meus poemas.
Abraços

Rebeca dos Anjos disse...

Obrigada, queridos!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...