18.9.16

Enquanto você traça cronogramas,
Metas,
Planos para o longo prazo,
Alguém morre por força da natureza
Ou acaso.

É disso que eu falo quando insisto:

- Deixa fluir!

Porque a vida, como um rio,
Ou te relaxa,
Ou te arrasta,
Acaricia ou  maltrata

(...)

Tudo parte de uma coisa só,
Tudo parte de algo
Tudo parte para algum lugar
Tudo é parte.

(Rebeca dos Anjos)

31.8.16

Quando eu tinha sete anos eu descobri o que era uma instituição, o que era um sistema-de-qualquer-coisa: me obrigaram a cobrir meus cadernos com plástico azul e quando apareci com um plástico de bolinhas azuis fui punida.

Neste momento, encorajada pela minha mãe, encontrei em mim a parte que nada contra a corrente: continuei com meus cadernos com plástico de bolinhas azuis.

Aquilo era só o começo, pois crescer nos traz maior entendimento e desilusão. Quando adulto a gente descobre que as instituições encobrem com CNPJs as faces dos que desestruturam. A culpa é da Escola, da Justiça, do Governo. E quando a Mídia quer a culpa é... da Dilma.

Veja bem: o pior nisso tudo é ter o entendimento de que, muitas vezes, uma instituição é formada por um conjunto de pessoas interessadas em alguma coisa que não é a coisa para qual tal instituição foi criada.

Entendeu? Nem eu.

Só sei do que aprendi aos sete anos: neste mundo é preciso resistir.


Rebeca dos Anjos

5.8.16

Quem irá acreditar
Se eu disser que de outra vida lhe conheço,
E concedo-lhe o meu amor?

Que quando encarei seus olhos
Lembrei de tudo:
Seu jeito de andar, dormir e me olhar?

Pois eu reconheci, meu bem,
Eu sabia onde lhe reencontrar;
Chorei de saudade.

Eu chorei uma vida
Sabendo que existe outra

Eu ri da vida
Sabendo que somos outros,
Apesar de sermos os mesmos

Feitos de eternos detalhes.

(Rebeca dos Anjos)



30.7.16

Persisto sobre o tempo:

Um ponto sem nó,
Uma busca, talvez.

A vida tem passado tão rápido
E esfregado a morte na minha cara
E me lembrado que sou adulta
Apesar de disputar bolhas de sabão com o meu cão

E aí na "adulreza" a gente conhece tanta gente chata
E percebe que a alegria vai ficando cada vez mais escassa dentro das horas

Dá vontade de gritar pro mundo
Que o tempo é mais importante que o dinheiro,
Que a experiência é mais importante do que o erro
E que metas... meu Deus, que metas?

Quem cobrará essas merdas

Enquanto perdemos aquele tempo para brincar com o cachorro, com o filho,
Para ler um livro,
Conversar com um amigo,
Fazer as pazes com um inimigo,
Ou sentir um quadro,
Ou deixar o ponto passar pra música terminar?

Quem cobrará tudo isso?

O fim do tempo?


Rebeca dos Anjos

21.6.16

Rio 2016

Há  uma luta interna para que eu não me acostume:

Saio mais cedo
Morando perto
Para que o metrô parado não me atrase;

Peço licença no ônibus lotado
E agradeço;

Peço por favor
Não jogue lixo aí
Me dê aqui que eu jogo ali na lata.

Foco no amarelo do trem lotado
E fico surda diante da reclamação geral:

Respiro fundo
E agradeço

Respiro fundo
E agradeço

Respiro fundo
E agradeço

Por mais um dia de vida
Na cidade que mata um policial por dia
Por não ter sido assaltada hoje,
Pelo salário que chega atrasado,
Pela luta interna para que eu não me acostume:

Com toda essa lama de obras inacabadas,
Cheiros de esgoto e ruas não asfaltadas
Buracos no chão e rombo nos caixas

Agradeço por ainda pedir pelas vítimas dessa desordem
Por ainda me sobrar alguma sensibilidade,
Por parar, respirar, agradecer e fazer poesia,

Por torcer para que não dê merda nas Olimpíadas -

Com a benção de um Cristo Redentor.

(Rebeca dos Anjos)




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