12.11.16

Somos agora dois mil seiscentos e sessenta quilômetros de ponte
E mesmo que isso pareça mais distante
Na verdade não é:

O fato é que a cada quilômetro construído,
Todo cimento, tijolo e ferro erguidos
Formam estrutura forte e maleável
Ponte e cartão postal

Não é todo mundo que encara este trabalho
Arriscaria que só os apaixonados
Fazem de algo complicado
Uma ponte especial

(Rebeca dos Anjos)

5.11.16

Chegado o momento da espera
Me aquieto
Sinto e sonho
Sinto o sonho

(O sofá é um mundo inteiro quando fecho o olhos
Eu sou um mundo inteiro quando me acalmo)

Chegado o momento de espera,
O tempo da semente,
Este tempo interno,
Profundo,
Silente.

Uma exceção em tempos de variados sons,
Likes,
Notícias,
Informações

Eis o momento da espera,
O momento do (m)eu presente.


Rebeca dos Anjos

18.9.16

Enquanto você traça cronogramas,
Metas,
Planos para o longo prazo,
Alguém morre por força da natureza
Ou acaso.

É disso que eu falo quando insisto:

- Deixa fluir!

Porque a vida, como um rio,
Ou te relaxa,
Ou te arrasta,
Acaricia ou  maltrata

(...)

Tudo parte de uma coisa só,
Tudo parte de algo
Tudo parte para algum lugar
Tudo é parte.

(Rebeca dos Anjos)

31.8.16

Quando eu tinha sete anos eu descobri o que era uma instituição, o que era um sistema-de-qualquer-coisa: me obrigaram a cobrir meus cadernos com plástico azul e quando apareci com um plástico de bolinhas azuis fui punida.

Neste momento, encorajada pela minha mãe, encontrei em mim a parte que nada contra a corrente: continuei com meus cadernos com plástico de bolinhas azuis.

Aquilo era só o começo, pois crescer nos traz maior entendimento e desilusão. Quando adulto a gente descobre que as instituições encobrem com CNPJs as faces dos que desestruturam. A culpa é da Escola, da Justiça, do Governo. E quando a Mídia quer a culpa é... da Dilma.

Veja bem: o pior nisso tudo é ter o entendimento de que, muitas vezes, uma instituição é formada por um conjunto de pessoas interessadas em alguma coisa que não é a coisa para qual tal instituição foi criada.

Entendeu? Nem eu.

Só sei do que aprendi aos sete anos: neste mundo é preciso resistir.


Rebeca dos Anjos

5.8.16

Quem irá acreditar
Se eu disser que de outra vida lhe conheço,
E concedo-lhe o meu amor?

Que quando encarei seus olhos
Lembrei de tudo:
Seu jeito de andar, dormir e me olhar?

Pois eu reconheci, meu bem,
Eu sabia onde lhe reencontrar;
Chorei de saudade.

Eu chorei uma vida
Sabendo que existe outra

Eu ri da vida
Sabendo que somos outros,
Apesar de sermos os mesmos

Feitos de eternos detalhes.

(Rebeca dos Anjos)



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