29.6.08

Não adianta. Nós somos cúmplices em qualquer situação. Criamos nos olhos a expressão de verdade que explode depois dos oito minutos.
Criamos na vida, o compromisso de sermos pessoas cobertas de lealdade.
Não há nome para o que construímos até aqui. Esse mundo doente não seria capaz de descrevê-lo. Nós somos mãos dadas mesmo de longe.
Independente do que seja, independente do que aconteça, existe algo maior que nos envolve - e eu falo do que transcende.
Nós não conhecemos bem o que a vida fez com a gente. Mas a gente se conhece, então está tudo bem.

27.6.08

Oito minutos.

Falam com som ameaçado pelas lágrimas que embaçam os olhos. Não é sinceridade o que há na ponta da língua. Sinceridade é coisa sem escudo, sem escudo que embaça os olhos e ameaça o som. Na ponta da língua, sinceridade que fala com lágrimas de escudo. Com som embaçado que fala com sinceridade. Lágrimas que não têm som. Escudo na língua. Na ponta das lágrimas. Coisa sincera. Não é.

19.6.08

- Muito prazer!

Tomei gosto por conhecer essas pessoas que se dividem esperando alguma coisa. Essas, que sentaram ao meu lado durante o engarrafamento, caminho longo, atraso sem fim.
A dona Rita, de voz empolgante, foi companheira de gargalhadas purpirinadas.
O José, companheiro de indignação e fé "no escudo que só Deus coloca na nossa frente".
E o Seu Carlos: - Ah, Seu Carlos! Palavra certa pra tudo! Uma desenvoltura e segurança na postura que até me fizeram esquecer que era tarde na Ilha.

Esses que viraram estes, em tempos de olhos de gato.

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