4.10.11

Exposta.

Era inverno de sol quando nasci.

Desde então não chove no dia quatro de setembro. Descobri água no Rio São Franciso e sal no Rio de Janeiro. Descobri terra plantando árvores e a Terra plantando árvores. Sobre o vento eu nunca soube, até que fez areia virar chicote em Arraial. Sobre todo o fogo do meu mapa, nada falo: com o fogo eu só faço.

O céu estava azul quando eu nasci, mas o céu nunca coube em mim. Couberam as flores que, tantas, sou jardim. Virei jardineira no Sul, fiz suco com amoras assim. Cuidei da lagarta laranja só porque esta cor era parte de mim. Sobre o vermelho eu não falo.

Das pedras fiz sopa que tomo a seco. Mastigo com a alma este mistério e excreto pensamentos que cheiram, ativos, o mistério do mundo. Sobre o meu cheiro eu não tenho o que dizer.

Sobre as palavras que brotam sem sentido, rimo com remos um barco junto às Cataratas. Olhos sem luz. Uma ponte. Um dedal. As pedras. Sem sal. Certo que não era setembro, o mês em que nasci. Acho que era quatro de outubro, céu cinza na primavera. Sobre isso, também prefiro não comentar.

(Respiro)

De todas as coisas que eu disse e só eu entendi, ficam aquelas que eu não escrevi.

2 comentários:

Raphael Grizotte disse...

Me desculpe mas eu quero me apossar disso pois falta anjos em meus poemas e não achei maneira melhor de dizer que gostei.

Denise disse...

É assim a vida...
Tudo muda o tempo todo...´
O fundamento é viver o melhor..
Para que essa ação seja o melhor é necessário exercitar o bem querer com você mesma...A disponibilidade,de viver no colorido do quadro, da sua vida são as suas escolhas...
O meu amor ! Foi a minha escolha!

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