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15.1.12

Receita pra ficar fortinho

Pego tudo que me abate
Taco no liquidificador
Faço suco de coragem
Ponho açúcar,
Tomo,
Chupo.

Sigo em frente
E acabou.

Rebeca dos Anjos

21.12.11

Liberdade

 
Luto a boa luta
Vou de peito aberto
Aguardo os frutos
Criança
Caio e levanto
O que dói sempre sara
Com beijo, tempo ou dor
Não me importa
Tudo passa, tudo acaba
Eu permaneço leoa:
A vida recompensa quem acredita.



Rebeca dos Anjos

19.10.11

Relembro: o alicerce está aqui.

Se foi colocada a pedra, sem problemas, coloque mais uma sobre essa que está no meu caminho. Eu passo. 

Se será colocado fogo, sem problemas. Eu me esfolo, mas passo. 

Se quiser testar minha habilidade na água, sem problemas, eu aprendo e passo.

Se for vento, a história se repetirá.

Ah, querida vida! Em vinte anos vividos como esses foram, ainda não percebeu o quanto sou capaz de aguentar?
Pra quem mata um leão por dia, o que é viver senão superar? 



14.10.11

Leoa




Há um espeto na pata
Bem entre os dedos
Por isso imobilizei os dois

Agora veja bem:
Quando me voltar a energia
Será com os dentes que arrancarei o espeto
E com ele farei justiça:

Pipa colorida
Que eu quero
E mereço
Para brincar




4.10.11

Exposta.

Era inverno de sol quando nasci.

Desde então não chove no dia quatro de setembro. Descobri água no Rio São Franciso e sal no Rio de Janeiro. Descobri terra plantando árvores e a Terra plantando árvores. Sobre o vento eu nunca soube, até que fez areia virar chicote em Arraial. Sobre todo o fogo do meu mapa, nada falo: com o fogo eu só faço.

O céu estava azul quando eu nasci, mas o céu nunca coube em mim. Couberam as flores que, tantas, sou jardim. Virei jardineira no Sul, fiz suco com amoras assim. Cuidei da lagarta laranja só porque esta cor era parte de mim. Sobre o vermelho eu não falo.

Das pedras fiz sopa que tomo a seco. Mastigo com a alma este mistério e excreto pensamentos que cheiram, ativos, o mistério do mundo. Sobre o meu cheiro eu não tenho o que dizer.

Sobre as palavras que brotam sem sentido, rimo com remos um barco junto às Cataratas. Olhos sem luz. Uma ponte. Um dedal. As pedras. Sem sal. Certo que não era setembro, o mês em que nasci. Acho que era quatro de outubro, céu cinza na primavera. Sobre isso, também prefiro não comentar.

(Respiro)

De todas as coisas que eu disse e só eu entendi, ficam aquelas que eu não escrevi.

3.10.11

Do fim


Melhor.

Não A
No "do que"
Sou eu

Hoje

Acordei diferente
Impulso de ação
É hora de agir
Realizar
A idéia de

Ontem.

Não existe mais
Quero mais
Mais de mim

Amanhã

De manhã
Outro dia
Menos um,

Melhor assim.

4.8.11

Esquartejada.

Era cedo. Um despertar como quem puxa com força os pés que estão a voar. Sem delicadeza.

Começa. Começa a perda. O muro. O recomeço forçado. Perto do ano novo. Longe do ano bom.

Eu lembro. Daqueles olhos mortos que trazem a humilhação.

Nunca mais.

Vivi ao som do Arnaldo. Tentei poetizar um mundo sem palavras.

E joguei fora. Quantas coisas joguei fora. E quantas partes de mim eu deixei lá, partes que ficaram com as lágrimas. Desapego praticado aos murros, desapeguei da vida inteira ali.

Só me importava o que estava dentro. Não de mim, porque não via importância nisso. Por mim tanto fazia, não me importava um mundo assim. Só não morreria porque eles existiam e precisavam de mim. Para o amor sempre há palavras e poesia.

Me despedi do caminho e escolhi não percorrê-lo mais. Tolice. Não há desapego do caminho se não há desapego da tristeza.

Agora que a poesia voltou, agora que a cor voltou, passarei por lá para trazer pra cá a minha parte que ficou.

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