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29.4.12

Azul transparente

Me apego ao transparente
Porque o aparente
Vive de não saber

Transparente
Não é espelho
É  janela
Aberta pra quem quiser ver

Mancha não há
Nada a limpar
No através de.

Se o incolor
Não existe
O que tem nessa água
Que eu preciso beber?

Rebeca dos Anjos

26.4.12

Do pouco que sei

Não há certezas, meu bem.
Nem sim, nem não.
Quem sabe, talvez.

O mundo é tão vasto...
Há tanto além do que vejo
Há tanto do que desconheço
Que a certeza não cabe em tanto -
Ela mesma não sabe o que é.

(Pausa)

A única certeza,
Sem dúvida,
É a fé.


Rebeca dos Anjos

25.4.12

De cama


Quando o corpo
Para
O mundo passa
E você não se dá conta

A alma
Vive
Livre

A cama é nuvem
O sonho é puro
O mundo é nada
E você descansa


Rebeca dos Anjos

3.3.12

Desembaraço

Do bolo de lã que morava na altura do estômago
Foi feito cobertor
Com pontos de crochê
Aprendidos com a vovó.

Por dentro coberta
Angústia se vai
Quentinho é paz
Desfaz calafrios.


Rebeca dos Anjos

23.1.12

OceAMO




Dentro,
Oceano.

Repare:
Onda é mar
Mar não é onda.

O vento passa.
O (a)mar fica.

Rebeca dos Anjos





"Quando se estabelecem vínculos corretos com pessoas de valor, isso traz naturalmente uma certa perda. O homem deve afastar-se do que é inferior e superficial. Porém, em seu interior, ele está satisfeito por encontrar o que procurava e precisava para o desenvolvimento da sua personalidade. O importante é permanecer firme. Ele precisa saber o que quer, 
não permitindo que tendências momentâneas o desviem."  (I Ching - O  Livro das Mutações)          

16.1.12

Sobre plantar pés de estrelas laranjas

Fez força pra marcar passos na areia
Ai, ai
O mar levou...

Passos não nadam, meu bem
Na água não dançam
No mar salgado
Tudo acabou

A rocha é doce, eu acho.
A luta é doce, eu sei.

Quando subi
Sofri
Quase caí
Quase morri
Sobrevivi
Sem nem saber o porquê -
Eu segui, só segui
O impulso que ia do peito ao dedão

 

 Depois de tempos eu vi
Meus passos iguais a estrela laranja
Enorme sol
No alto
Bem alto
Na rocha
Banhado por mar
Pro doce salgar
De quando em vez





Passos na rocha
Que o mar não leva
Só(l) tempera
O eterno
Feito por pés

A muitos pés do chão
(Onde só chega quem voa)

Rebeca dos Anjos

10.1.12

Canção para o meu sono

Acordar às cinco   
Sentindo  o cinto               
Que aperta o sentido
De tudo que pode Ser

Levanto
Fazendo bico
Silêncio pesa
Perco tempo
Querendo o que não posso ter

Mais umas horas
Nos sonhos
No largo encontro
Capaz de desfazer o bico
Aliviando a face
Abrindo espaço
Pro sorriso acontecer


8.1.12

No agora





É melhor aqui:

Onde o vento me toca
Onde nada me importa
Onde estou consciente de mim


5.1.12

Um poema ruim

Aproveito a nuvem cinza
Para escrever um poema triste.
 
Nuvem cinza sem motivo
Que sei que passará
Enquanto não passa
Passaralho!
Quando passar,
Passarinho
Passa e rio
(Ha-ha-ha).
 
Tudo passa
Até a uva
(e não engorda)

Aproveito a nuvem cinza
Para escrever um poema ruim



Rebeca dos Anjos

2.1.12

O que me navega é amar



Sobre a dor da saudade de instantes, aquela que esmaga o peito nas despedidas, eu sei.

Assim eu faço: 
Cada porto um lar, um (a)mar.
Na saudade eu acho concha. 
De cada reencontro nasce uma pérola. 

(São preciosas, 
cada uma delas).




Rebeca dos Anjos

31.12.11

De todos os elementos



Já que me faltam água e ar
Vou me banhar
Fazer vapor
Pra chover na minha terra

(quem sabe venta?)

Rebeca dos Anjos

29.12.11

Aperfeiçoar-se







Os passos largos e apressados cruzaram com os passos lentos e curtos.
Interseção é espécie de pássaro.
Asas largas e lentas.

O meio é voar -
Passo de dança.















Rebeca dos Anjos

23.12.11

Sobre a mancha no banco amarelo do ônibus

Há uma história
Na mancha
Tijolo
Sangue
Sobre
Sol

Não se sabe o que ali houve
Dor
Pudor
Do invasor
Da cor

Não se sabe
Se foi de propósito
Qual a proposta
O sujeito
O objeto
Agente passivo
Ativo

Sujeira?
Rabisco?

Se não era nada
Agora é arte

Minha
(e sua)

Rebeca dos Anjos

21.12.11

Liberdade

 
Luto a boa luta
Vou de peito aberto
Aguardo os frutos
Criança
Caio e levanto
O que dói sempre sara
Com beijo, tempo ou dor
Não me importa
Tudo passa, tudo acaba
Eu permaneço leoa:
A vida recompensa quem acredita.



Rebeca dos Anjos

19.12.11

Ponto e vírgula

A distância entre dois pontos
Medida por uma reta
Com forma de curva
Curva os olhos ao horizonte
Grande
Claro
Imprevisível horizonte

A distância entre nós,
Dois pontos,
Prenúncio:

A distância entre nós
Dois pontos,
Divisão:

Dividimos o futuro anunciado para além da linha, curva do horizonte;





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