Com duas taças brindo. Às duas faces. Com mão esquerda e direira. Coração e razão. Milagre e pecado. Inteira e metade. Amor e ódio.
Desconstruo, faço drama, quebro a cama (meu palco preferido).
Enlouqueço e vôo. Livre e leve.
Reencontro, que se dane.
E que se dane.
Que eu ame, que me ame.
Me encharco de água de coco pra curar a sequidão que agora impera. Fogo queima e seca as folhas, matei o meu jardim. Da gérbera despedaçada guardo a cor - não há um caule de arrependimento, ela morreu por mim.
Caço as sementes e planto o novo. De novo e de novo.
Felicidade achar este texto antigo entre os meus rascunhos :)
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13.11.11
Inflamável
28.10.11
Goela a fora
Revivo os detalhes daqueles momentos em que, felina, arranhei e arranquei partes de mim.
Mastiguei cada parte com dentes que estão depois da goela: sentimentos afiados localizados quase na boca da barriga, um pouco mais acima, onde todas as angústias e raivas e rancores estão.
Deixei o que restou de mim para os porcos que se viam lobos. Lobos malditos. Malditos, porém benditos por tal camada social.
Eu não sabia ser fruto do meio ou se eu estava no meio do fruto. E falava de futuro, tentava salvar o mundo alimentando-o com carne minha. Mas não é um felino comparável a um cordeiro: tamanho, jeito e pelos - melhor que vivam pra si.
Agora, sem garras, costuro as partes, delimito espaços, refaço os sonhos - e que ninguém ouse fazer mal a mim.
Mastiguei cada parte com dentes que estão depois da goela: sentimentos afiados localizados quase na boca da barriga, um pouco mais acima, onde todas as angústias e raivas e rancores estão.
Deixei o que restou de mim para os porcos que se viam lobos. Lobos malditos. Malditos, porém benditos por tal camada social.
Eu não sabia ser fruto do meio ou se eu estava no meio do fruto. E falava de futuro, tentava salvar o mundo alimentando-o com carne minha. Mas não é um felino comparável a um cordeiro: tamanho, jeito e pelos - melhor que vivam pra si.
Agora, sem garras, costuro as partes, delimito espaços, refaço os sonhos - e que ninguém ouse fazer mal a mim.
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mágoa,
prosa poética,
raiva
26.10.11
Desabafo de um vaso rachado
Não vou ler as notícias, chegar na hora e pedir por favor.
Foda-se a palavra correta, a coleira, a obrigação de dar amor.
No momento em que o que vai na base cai por terra, não me exija paz interior. No meu mundo cabem opostos que não se excluem: só o todo tem valor.
Ah, meu Deus, eu não me escondo, você sabe. Me dá no saco ver tanta merda e regular os meus pecados. Eu te amo de todo jeito, toda forma e apesar de. Mas não se esqueça que eu falho e é brabo sentir o sangue quente correr.
Dito isto, eu só espero que seja a guerra a minha paz - acredito, intensamente, que seja paz o que você faz.
Foda-se a palavra correta, a coleira, a obrigação de dar amor.
No momento em que o que vai na base cai por terra, não me exija paz interior. No meu mundo cabem opostos que não se excluem: só o todo tem valor.
Ah, meu Deus, eu não me escondo, você sabe. Me dá no saco ver tanta merda e regular os meus pecados. Eu te amo de todo jeito, toda forma e apesar de. Mas não se esqueça que eu falho e é brabo sentir o sangue quente correr.
Dito isto, eu só espero que seja a guerra a minha paz - acredito, intensamente, que seja paz o que você faz.
14.10.11
Natureza morta
Beleza branca
Sem paz
Beleza plástica
Tanto faz
Tanto faz a vida
O que quer da vida
É flor artificial
Enfeitando uma casa sem sal
Fingindo ser natural
Embalada à covardia
Buscando na vida o que chegará um dia
No dia que nunca chegará
Natureza morta
Se não fosse parasita
Sem paz
Beleza plástica
Tanto faz
Tanto faz a vida
O que quer da vida
É flor artificial
Enfeitando uma casa sem sal
Fingindo ser natural
Embalada à covardia
Buscando na vida o que chegará um dia
No dia que nunca chegará
Natureza morta
Se não fosse parasita
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